26.1.11
Obesidade e auto-afirmação
Fazendo uma reflexão em minha vida, me assusto com a importância que damos às coisas exteriores. Desde a infância até a fase adulta, realmente não me achava merecedora de nenhuma alegria, de nenhum sucesso.
Sabe aquelas coisas que todo jovem tem que fazer? Passar no vestibular, terminar o curso, entrar no mercado de trabalho? Só me convenci de que sou capaz quando eu terminei esse “dever de casa”.
Mas, o valor humano não pode ser baseado nessas coisas exteriores. Por definição, não podemos esperar por essas conquistas exteriores para nos sentir importantes, amados, merecedores da felicidade. Essas são questões que deveriam ser inerentes à natureza humana...
Da mesma forma é a obesidade. Ela existe por questões de doença, metabolismo, psicológico, etc. Cada um de nós que estamos obesos, estamos assim por um motivo específico, e que a sociedade não lembra, não analisa, não considera. Se for por doença, temos azar. Se for por motivos psicológicos, somos fracos e desregulados. Se for o metabolismo, somos preguiçosos.
E nós, obesos, não pensamos nas anoréxicas e bulímicas. Elas sofrem, muitas vezes em silêncio, mas estão cegas por uma obsessão e não entendem, não aceitam, não buscam ajuda.
Mas, enfim, a sociedade nos empurra para um caminho comum que todos “devem” seguir, de acordo com a região do país em que vivem. Qualquer um que não percorra esse caminho é vítima de preconceito. Qualquer um, então, não estamos sós. A perversidade das pessoas está desde a infância até a morte, em todos os lugares, por qualquer motivo.
Por isso, é fundamental a construção do conceito de auto-afirmação, para se ter uma referência saudável. A felicidade está dentro de nós, em estar em paz com a nossa consciência, respeitando os nossos próprios limites. Não é necessário ter um namorado, ou ter as mesmas experiências que as outras pessoas tiveram para ser feliz e se sentir importante.
Quando somos felizes por nós mesmos, essa felicidade se expande no espaço-tempo e outras pessoas conseguem ver a nossa luz, se aproximam e se apegam a nós, independente do nosso estado físico de obesidade. Quem se deixa levar pelos modismos e preconceitos, não merecem estar entre nosso hall de amigos.
É importante nos conhecer, saber nossa opinião, nossos gostos e desgostos, nossas inclinações morais, como nos sentimos diante das situações, até onde vai a nossa tolerância, nossa paciência, nosso bom humor, e então, traçar uma meta de vida que esteja dentro de nossas limitações emocionais, psicológicas e físicas, mas que ao mesmo tempo nos faça pessoa felizes.
Felicidade é uma conquista pessoal. Há pessoas com namorados, noivos, maridos e estão infelizes, sempre buscando novas emoções, porque não encontraram ainda a fonte da felicidade em si mesmos, ainda estão procurando fora (em vão).
Não podemos fazer as pessoas calarem, elas continuarão exigindo que emagreçamos, que nos enfeitemos, que entremos no padrão atual... aí entra as nossas virtudes: bom humor para ouvir sem se ofender, paciência para suportar as repetitivas agressões, tolerância para não agredir quem nos ofende, uma meta bem definida para não esquecer que temos um objetivo e que somos felizes porque estamos sempre aprendendo, criando, iluminando a vida dos que nos rodeiam.
Se vivemos segundo a ética, a caridade, a paz, a superação pessoal, o resto - tudo o que queremos - virá por acréscimo da misericórdia divina.
=============
Crédito foto: devaneiosemetamorfoses.blogspot.com
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
A Fê, este post fala à minha alma. Acho que a todos também, porque sempre procuram jogar pedras naquelas árvores que estão dando frutos...
Seguir conceitos pré-estabelecidos é mais fácil do que entender a razão deles, e olhar para os outros e ofender é um alívio para quem não suporta a si mesmo.
Tudo Bem? interessante este blog parece muito organizado.........bom estilo:)
Muito Bonito faz mais posts assim !
Postar um comentário